2.2 Vigilância e controle

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Os usuários sentem-se realizados ao compartilharem momentos e detalhes íntimos de suas vidas pessoais nas redes, fornecendo informações e fotos. Em uma minuciosa relação entre a liberdade de expressão e abertura da vida particular através das redes sociais, proporcionadas pelo desenvolvimento da internet, somos inseridos em uma era de mobilidade informacional, em que, ao mesmo passo somos controlados através dos dados que fornecemos nessa grande rede. Como salienta André Lemos:

“Serviços e tecnologias baseados em localização estão em expansão com a disseminação de dispositivos móveis (telefones celulares, smartphones, GPS), redes telemáticas sem fio (Wi-Fi, Wi-Max, Bluetooth, GPS) e sensores (RFID principalmente) possibilitando aliar, pela primeira vez, localização, vigilância e mobilidades física e informacional (capacidade de consumir, produzir e distribuir informação). A mobilidade por redes ubíquas implica em maior liberdade informacional pelo espaço urbano mas, também, uma maior exposição à formas (sutil e invisíveis) de controle, monitoramento e vigilância.” (LEMOS, 2009, p.622).

Podemos compreender esse controle ao qual estamos submetidos, como uma fiscalização das atividades que realizamos e estamos envolvidos, geralmente, são associadas ao governo e ao domínio de pessoas. O monitoramento pode ser compreendido com um tipo de observação com a finalidade de colher informações que, posteriormente, podem ser utilizadas por uma avaliação de dados ou um acompanhamento.

Exercendo o controle e o monitoramento, as mídias locativas podem ameaçar a vida privada e o anonimato do indivíduo, considerando a privacidade como o controle e a posse de informações pessoais e uso que se faz delas. Os aparatos tecnológicos assumem a função do vigia, que tudo capta sob a luz e o olhar, só que agora eles estão espalhados por todos os espaços. Assim, o controle que antes era hierarquizado através das instituições sociais, e por isso, realizado dentro de um espaço físico, agora ocupa todo o espaço urbano público e privado. Segundo a teoria, o uso de sanções normalizadoras, tem o objetivo de exercer no indivíduo pressão constante, para que se submetam todos ao mesmo modelo. Assim, não se integrar é estar excluído.

“As mídias locativas podem ser, efetivamente, ferramentas de invasão da privacidade e de violação do anonimato para fins comerciais, militares, políticos ou policiais. O novo regime “invisível” dos bancos de dados, de localização e cruzamento de informações, de monitoramento de perfis de consumo e dos movimentos pelo espaço urbano crescem na mesma medida que a liberdade de locomoção e de acesso/distribuição de informação.” (Lemos, 2009, p.623).

O fato de que incluir-se no meio digital demanda vulnerabilidade, é conceituado por Marcondes (2005) dizendo que, “Com a hipervigilância, o espaço e tempo do trabalho são liberados, somente em virtude de sua capacidade de monitorar tarefas instantânea e continuamente, em infinitas distâncias. É uma contínua invasão de privacidade, tanto em casa quanto no trabalho. Nada do que você faça estando online passa despercebido pela sociedade ou instituições de controle. É o poder se exercendo sobre o indivíduo a todo instante” (MARCONDES, 2005 p.3).

Na exposta acima lei de privacidade, o acesso a pessoas, as suas vidas privadas, seus segredos e aos códigos (senhas), reconhece-se a grande exposição da qual somos vítimas nos momentos em que estamos on. Bogard relaciona essa privacidade com o ambiente online público afirmando que,

“O que é a privacidade em um reino imaginário onde toda comunicação é precedida por sua senha ou cifra, onde a visibilidade e sigilo coincidem, onde todo mundo está conectado, onde todo mundo é um cyborg, onde as mensagens chegam antes de serem enviados (e, portanto, são sempre repetitivas)? A resposta não é que a privacidade nesse reino não exista mais, mas que é sim uma excessivamente onipresente, realidade arrogante, sobre codificado. Total privacidade é totalmente compatível com a publicidade total. (1996, p. 126).

O trabalho de Willian Bogard explora essa percepção do controle das tecnologias do início do século XXI. O autor faz críticas sobre como o controle rompe liberdades e impõe limites, onde estamos inseridos em um imaginário de percepções não mediadas. Baseado em Foucault, Bogard analisa a sociedade de controle, a crescente vigilância individual e a consequente ausência de privacidade. Temos então que a vigilância é instrumento do poder. “Simulação e vigilância são formas de controle utilizadas por autoridades (governos) e principalmente pelo diversificado mercado capitalista.” (BOGARD, 1996, p.127). Para o autor, o que marca a emergência da sociedade de vigilância são, justamente, as tecnologias digitais.

Os SmarthPhones foram desenvolvidos pela Microsoft e possuem um browser que permite a comunicação entre os usuários e os bancos de dados de espaços públicos e privados. Uma tecnologia de controle lançada ao público como a solução de problemas práticos; pesquisar preços, produtos, fazer compras, orientar-se no trânsito, e outras utilidades disponibilizadas pelo sistema. O acesso, a facilidade e a rapidez dos novos aparatos foram então associados às necessidades de consumo do indivíduo “moderno”. A proliferação e a interconexão entre tantos aparatos, que são utilizados pelas pessoas em mobilidade, faz com que todos sejam observados e, ao mesmo tempo, objetos de observação.

O aumento da quantidade de acessos na rede sugeriu uma nova forma de vigilância dos usuários, a tecnologia de agentes inteligentes permite mapear o perfil dos indivíduos que acessam a web, acompanhar suas atividades e rastrear gostos, hábitos e preferências. Para Foucault (1987) alguns recursos são necessários para o sucesso do poder disciplinar: a vigilância hierárquica; a sanção normalizadora; e o exame, e a combinação das duas.

Todos esses recursos apresentam-se potencializados com o desenvolvimento das tecnologias de informação e comunicação móveis. A ferramenta trabalha através de palavras-chave e da relação das consultas realizadas pelo internauta dentro do sistema, é como se os nossos acessos estivessem sendo monitorados dentro do nosso próprio aparelho. “Isso é feito com a finalidade de se encontrar padrões que possam auxiliar o próprio sistema na sua relação com os usuários, antecipando a oferta de produtos e serviços”, (COSTA, 2002).

Essa é a estratégia do comércio online, mais conhecido como E-commerce.  Ele utiliza o mapeamento dos clientes através das redes sociais e dos monitoramentos dos agentes inteligentes, migrando o internauta até a página virtual de venda dos produtos da marca. As empresas descobriram que as redes criadas para internet é, também, caminho para que se chegue aos consumidores e que se possa estuda-los através dos perfis construídos virtualmente.

As relações cibernéticas tornam-se plataforma de interação, acompanhamento e antecipação de tendências, produtos e interesses de compra. Através do E-commerce, a propaganda e a divulgação se transformam em relacionamento.

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