2.1 Mundo virtual

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Desde o século XX nos deparamos com o desenvolvimento acelerado das tecnologias digitais. O computador, antes utilizado como meio de armazenamento de informação e cálculo numérico, hoje é considerado meio de comunicação, entretenimento e educação. Desde a convergência das telecomunicações com o surgimento do computador e o lançamento da revolucionária internet, a sociedade passou a desenvolver a capacidade de gerar, armazenar e recuperar informações, de forma instantânea e em diferentes localidades.

“Se as forças do capital corporativista e os interesses políticos forem bem-sucedidos na introdução sistemática dessas novas tecnologias – da robótica aos bancos de dados, da internet aos jogos de realidade virtual, então a vida social será transformada em quase todos os seus aspectos. O desenvolvimento estratégico das tecnologias da informática e comunicação terá, então, reverberações por toda a estrutura social das sociedades capitalistas avançadas”. (ROBINS e WEBSTER, 1999 p.111).

Tradicionalmente, o computador apresenta-se como uma realidade virtual, fator proporcionado pela conectividade através da internet. O instrumento passou a ser o motor gráfico da chamada cultura cibernética unindo televisão, fotografia, pintura, escrita, e outras representações de imagens e sons. A sociedade passou a se conectar através de diversas possibilidades de comunicação encurtando distâncias geográficas. A autora Lucia Santaella explicita de forma clara e objetiva a tendência humana em desenvolver e viver de novas tecnologias:

“Pela mediação de interfaces do ser humano com as máquinas, o mundo está se tornando uma gigantesca rede de troca de informações. Se podemos estar certos de alguma coisa a respeito do futuro é que a influência da tecnologia digital continuará a crescer e a modificar grandemente os modos como nos expressamos, nos comunicamos, ensinamos e aprendemos, os modos como percebemos, pensamos e interagimos no mundo.”(2007, p,128)

À medida que novas formas de telecomunicações surgem, são desenvolvidos novos modos acelerados de transporte, essa relação contribui para o encolhimento do planeta e para que percamos, aos poucos, noções de tempo e espaço tradicionais. A possibilidade de um diálogo real através de ações a distância por via digital reduz a nossa necessidade de uma área física, como por exemplo, o espaço físico para a realização de um trabalho pode ser totalmente ou, parcialmente, substituído por etapas digitais de um processo.

A burocracia do papel, a prestação de serviços e as operações financeiras passaram a demandar o desenvolvimento tecnológico como uma solução rápida e eficaz de trâmites legais, as empresas aumentaram a área de atuação atendendo a mercados de diversas localidades. Essa também é uma consequência da redução dos deslocamentos humanos em função da quebra dos limites territoriais. Como nos mostra Lemos:

“A cibercultura solta as amarras e se desenvolve de forma onipresente, fazendo com que não seja mais o usuário que se desloca até a rede, mas a rede que passa a envolver os usuários e os objetos numa conexão generalizada” (LEMOS, 2004, p.)

Nossa comunicação dentro do espaço e grupo no qual estamos inseridos modifica-se de acordo com a forma que ela é transmitida, é o que oferecem as tecnologias. Como argumenta Belgmann, a popularização dos dispositivos portáteis de comunicação sem-fio com possibilidade de conexão à Internetapontam para a incorporação do padrão de vida nômade e indicam que o corpo humano se transformou em um conjunto de extensões ligadas a um mundo cíbrido, pautado pela interconexão de redes e sistemas on e off line, (2002, p.1). É a chamada interação social e tecnológica.

Para alguns autores, interatividade é definida como um processo de comunicação bidirecional que rompe com a hierarquização (COUCHOT, 1997), no qual todos podem intercambiar e negociar diferentes saberes (LÉVY, 1999). Portanto a interatividade passa a ser compreendida como a possibilidade do usuário participar ativamente de processo e ações, interferindo em reações e se tornando o receptor e emissor de mensagens específicas.

A interação contribuiu, ao longo dos anos, para o desenvolvimento de uma “nova” forma de comunicação. Nela são trocadas informações específicas imediatas sobre alguma impressão pessoal devido ao acesso ao grande fluxo de informações. Este aspecto imediatista, entretanto, não está relacionado diretamente a um aumento na qualidade da comunicação, como colocado por Lemos:

“A rapidez das mensagens e dos contatos permite um questionamento se o que está em jogo é um verdadeiro canal de comunicação, ou se seria apenas para trocas rápidas de informação, não caracterizando um verdadeiro processo comunicacional. (…) Os celulares devem ser compreendidos como instrumentos que podem aumentar as possibilidades de emissão e recepção de informações, ampliando as probabilidades de comunicação mas não garantindo, necessariamente, um maior enriquecimento do processo comunicativo. (LEMOS, 2004. p. 28)

O distanciamento físico projeta um cenário cada vez mais individualista e abstrato. Se o ambiente urbano em que vivemos está caótico ou ordenado, passa a ser preocupação minoritária, desde que, o consumo dos centros culturais, comerciais e de lazer estejam em funcionamento nas unidades individuais.

O espaço urbano deixa de ser espaço social e sede seu lugar ao mundo virtual que, passa a ser um meio de afirmações pessoais do indivíduo conectado. A respeito das redes sociais, como uma nova forma de comunicação e apresentação do ser humano como ser virtual (avatar) aliado a novas tecnologias de transmissão (celulares, tablets, smartphones e etc), é onde encontramos o intercâmbio das informações pessoais. A polifonia característica da internet permite que essas unidades individuais formem comunidades mediadas por esses instrumentos tecnológicos que podem agregar pessoas simpatizantes de uma mesma concepção ideológica (política, religiosa, etc.).

“Essas tecnologias, equipamentos e as linguagens criadas para circularem neles têm como principal característica propiciar a escolha e consumo individualizados, em oposição ao consumo massivo. São esses processos comunicativos que considero como constitutivos de uma cultura das mídias. Foram eles que nos arrancaram da inércia da recepção de mensagens impostas de fora e nos treinaram para a busca da informação e do entretenimento que desejamos encontrar” (SANTAELLA, 2003 p.27).

Com a rápida aderência do público, a internet passa a ser sinônimo de espaço amplo, social e democrático. O indivíduo passa, aparentemente, a dominar sua própria vida: desde ações corriqueiras a grandes transações financeiras. O segredo está no controle das decisões oferecido pelo espaço virtual. Quem escolhe que notícia ler, que veículos de comunicação ver e ouvir, e a quem dar credibilidade, são os internautas. Eles têm agora, a possibilidade de barrar pessoas e informações.

É absolutamente possível alienar-se à realidade externa estando conectado à rede mundial de computadores. Se a Internet passa a ser a lente da vida então, fica claro para nós, é uma lente ou janela com alta capacidade de seleção (Shapiro, 1999, p. 88). O autor complementa o pensamento com um dos princípios que movimentam o espaço virtual: a voz dada aos indivíduos. “Espaços em que os cidadãos podem enfrentar um ao outro e as mentes podem ser alteradas. Não é uma bala mágica para os males da sociedade, mas é melhor do que o isolamento e o silêncio.” (1999, p.207).

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