1.3 Evolução

Moda-roupas-femininas-historia-03

A democratização da moda teve início no século XVIII e atrai cada vez mais indivíduos. As informações sobre as atuais tendências chegam rapidamente através do mundo globalizado. A indústria da moda [8] tornou-se um dos mercados mais importantes da economia. Possui o seu espaço conquistado não somente na área do vestuário, mas na arte, na música, em eventos sociais e políticos.

 A evolução histórica vivida pela sociedade foi e é acompanhada pela evolução no vestuário. No século 18, por exemplo, não havia distinção entre os tecidos usados por homens e mulheres, já no século 19, o vestuário masculino e feminino se afastaram cada vez mais de acordo com os tipos, modelos, cortes, material, caimento entre outras diferenças que tornaram padrão as peças do adorno de cada sexo. No final da Idade Média, a indumentária se diferenciou das utilizadas na Idade Antiga, pois as peças ficaram mais ajustadas ao corpo e caracterizavam grupos sociais,

“Porém, não era para todas as classes, pois os camponeses e pobres ainda usavam as antigas túnicas com cintos, capuzes e capinhas fabricadas com tecidos rústicos e caseiros. A burguesia rica, como sempre, copiava a indumentária dos nobres. Os judeus, as prostitutas, os curtidores e os leprosos tinham roupas próprias e específicas. As mulheres casadas escondiam os cabelos sob toucas de variadas formas”. (NERY, 2007, p. 72).

Se pensarmos na forma como as pessoas se vestiam nas décadas de 70, 80 e 90 no Brasil veremos que refletem o período histórico do país e se associam diretamente à “evolução” da sociedade. A calça, que já foi uma peça tipicamente masculina, passou a ser usada por mulheres. O surgimento do biquíni revelou partes do corpo feminino, antes, escondidas pelo maiô. O tamanho das peças e a forma como valorizavam o corpo representou uma ruptura com o tradicional e tornou-se um marco da liberdade social.

É possível entender um grupo, um país, o mundo naquele período, pela moda praticada na sociedade em questão. “A moda não é um fenômeno universal, mas próprio de certas sociedades e de certas épocas” (SOUZA, 2001, p. 20). Através da moda é possível se fazer diversas leituras de uma mesma pessoa, analisando humor e personalidade presentes na forma de se vestir, é possível também identificar uma época, uma civilização e classe social. A moda passou a ser incorporada na linguagem das roupas e se transformou em um meio de apresentação e comunicação.

“[…] moda é o conjunto atualizável dos modos de visibilidade que os seres humanos assumem em seu vestir com o intuito de gerenciar a aparência, mantendo-a ou alternando-a por meio de seus próprios corpos, dos adornos adicionados a eles e da atitude que integra ambos pela gestualidade, de forma a produzir sentido e assim interagir com o outro”. (GARCIA; MIRANDA, 2007, p. 22).

Muitos consideram a moda como forma de manipulação, alienação e padronização da sociedade. “Estar na moda” parece ser coisa para uma elite (econômica, social e cultural) e, portanto, mobiliza quem está “de fora”. Justamente por estar associada à vestimenta, a moda é comumente caracterizada como frívola. “A questão da moda não faz furor no mundo intelectual” (LIPOVETSKY, 1989, p. 9). Feghali e Dwyer (2001) colocam que a moda tornou-se um grande fenômeno social e econômico, não cabe mais limitar as associações de moda com glamour e frivolidade. Embora ainda enfrente muitas barreiras, moda é um assunto que desperta o interesse de muitos indivíduos, e já não pertence somente ao mundo do glamour. Palomino (2003) enfatiza essa afirmação ao citar que:

“[…] tem muito mais a ver com a vida real do que as pessoas pensam. Não acredite quando disserem que se trata de coisa para iniciados, algo restrito ao mundinho fashion. Há um preconceito concreto para com a moda, em parte porque o caráter da moda é de fato efêmero (ela muda oficialmente de seis em seis meses e seu meio é a roupa) e porque ela tem a ver com a aparência (supostamente privilegiando o superficial em detrimento do intelectual: forma verus conteúdo” (PALOMINO, 2003, p. 18, grifo do autor).

Às vezes, porém, esquecemos que há também a moda dos guetos, dos nichos, a moda da contracultura, alternativa, anti conformista, de protesto. É nesse contexto social e tecnológico que a moda contemporânea está inserida, e sofre as influências do mundo global tornando-se cada vez mais volátil. A informação que antes levava anos para se propagar pelo mundo, agora se propaga em poucos meses. Contudo, o consumidor de moda tem se tornado mais exigente impulsionado pela facilidade ao acesso e de informações. A exigência dos diferentes públicos da moda é correspondida pela exclusividade oferecida pela indústria da moda ao adequar-se ao estilo dos grupos sociais.

A moda evoluiu para além das coleções apresentadas nas passarelas. Hoje, moda não refere-se apenas às roupas e adornos, e por essa razão nem toda moda é indumentária.

“[…] poder-se ia dizer que, enquanto que toda roupa é um adorno, nem todos os adornos são elegantes. Alguns podem ser horrivelmente deselegantes. Dir-se-ia que, enquanto que toda indumentária é um adorno, nem toda roupa é moda, pela mesma razão. E, ainda, que, enquanto que toda moda é um adorno, nem toda moda é uma indumentária”. (BARNARD, 2003, p.26).

Barnard (2003) explica que para diferenciarmos se estamos nos referindo a um item de moda ou de roupa, devemos antes avaliar o contexto em que se inserem. A moda é um contexto social, enquanto a indumentária limita-se a vestimenta.


[8] Diversidade de atividades econômicas que vai da criação de modelos de roupas até à produção de vestuário em larga escala agregando valores da psicologia social ao nível econômico dos envolvidos no fenômeno.

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