1.1 Conceito

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Em português, moda, modo, maneira (CALANCA, 2008). Em francês, mode, uso, hábito ou estilo (PALOMINO, 2003). Segundo Braga (2008), moda é também comportamento. E ainda, para Garcia e Miranda (2007), o termo pode ser relacionado também com a arte, música e adornos. A palavra moda se relaciona quase que inconscientemente às passarelas, tendências, modelos e, logo é associada com as formas de vestir estabelecidas e padronizadas pela indústria da moda comercial. Para Barnard (2003), a etimologia tem relação direta com as origens e desenvolvimento das palavras. A compreensão etimológica é essencial para se entender ao que de fato ela remete.

‘Moda’ é um termo notoriamente difícil de definir com precisão, e é extremamente duvidoso que seja possível descobrir as condições necessárias e suficientes para que possamos considerar, de forma embasada, que alguma coisa está ‘na moda’. De maneira geral, podemos distinguir duas categorias principais em nossa compreensão do que é moda: podemos afirmar que ela se refere ao vestuário ou que é um mecanismo, uma lógica ou uma ideologia geral que, entre outras coisas, se aplica à área do vestuário”. (SVENDSEN, 2010, p.I2).

O significado da palavra moda torna-se real quando se relaciona às transformações periódicas e essas, por sua vez, relacionam-se a “[…] diversos setores da atividade social, na política, na religião, na ciência e na estética” (SOUZA, 2001, p. 19). A moda está na mudança das vestimentas, nas ornamentações pessoais e nas mais diversas transformações sociais, “A moda é um sistema que acompanha o vestuário e o tempo, que integra o simples uso das roupas no dia a dia a um contexto maior, político, social, sociológico” (PALOMINO, 2003, p. 14). Podemos entender que a moda está presente em toda e qualquer atividade que sofra modificações constantemente, e que essa seja uma prática social de determinada civilização ou grupo. Calanca (2008) ainda define moda partindo do pressuposto que

[…] quando a “paixão” pelo novo, pelo recente, pelo requinte, pela elegância, etc., e a renovação das formas tornam-se um valor, quando a mutabilidade dos feitios e dos ornamentos não constitui mais uma exceção, mas se torna uma regra estável, um hábito e uma norma coletiva – isto é um costume -, então se pode falar em moda. (CALANCA, 2008, p. 12, grifo do autor).” (2012, p.175).

Immanuel Kant objetiva essa relação quando diz que “todas as modas são, por seu próprio conceito, modos mutáveis de viver, e que a moda não é propriamente uma questão de gosto (pois pode ser extremamente contrária a ele), mas da mera vaidade de querer se distinguir.” (KANT, 1979 p. 148 apud SVENDSEN, 2010, p. 12). A moda age como dispositivo social integrando o simples uso das roupas no dia-a-dia a um contexto maior, histórico, político e sociológico. Você pode, por exemplo, enxergar a moda naquilo que escolhe de manhã para vestir. Carine Roitfeld, ex editora da Revista Vogue [7] Paris expressa em seu livro, Irreverent, que a moda é o que você é no dia a dia:

“Quando você acorda e se veste, você mostra se está feliz, triste ou nervoso. Independente dos negócios que giram em torno da moda, ela sempre será o que você sente” (2012, p.175).

Pode-se dizer então que a moda é um indicativo de tempo, realidade sociocultural e estado psicológico. Essa comunicação estética é consequência da relação entre a moda e os indivíduos agregando diversas sensações e significados. Entre eles estão o impacto, o carisma, os padrões sociais, a revolta, a alienação e a unificação. São formas de se comunicar uma posição numa ordem cultural e social, tanto para os demais membros do mesmo grupo, quanto para aqueles que estão fora dele, através da vestimenta. “Moda e indumentária podem refletir, é verdade, o tipo de organização econômica em que uma pessoa vive, assim como seu status no interior daquela economia” (BARNARD, 2003, p.105).

Inspirado num dos trechos do livro “Moda e Comunicação – Malcolm Barnard”, em que o autor afirma que,moda e indumentária são formas de comunicação não-verbal, uma vez que não se utilizam de palavras faladas ou escritas” (2003, p.49), estre trabalho parte do princípio de que as roupas não são utilizadas somente para cobrir o corpo, mas também para traduzir as singularidades de grupos sociais e também a maneira de se comportar desses grupos. “[…] as vestimentas podem ser consideradas como uma espécie de escrita, já que contam uma história; e até mesmo assinatura, visto que tal história pode ser localizada no tempo e no espaço” (GARCIA; MIRANDA, 2007, p. 14). Através da identificação visual é possível estabelecer uma comunicação entre indivíduos de uma mesma sociedade.


[7] Revista feminina de moda mais importante, conceituada e influente do mundo publicada desde 1892 pela Conde Nast Publications em 21 países.

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